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Diário de Penápolis

Esportes

21/07/2019

CANTINHO DA SAUDADE

Memórias do Carboni: Vale uma reflexão

Um cidadão vai ao supermercado e reclama dos preços altos de frutas, legumes e até de alguns cereais. Conversa vem, conversa vai, fica-se sabendo que o citado cidadão é dono de terras que ultrapassam algumas centenas de alqueires e declara que em suas propriedades ele só planta cana. Diz que é só arrendar para uma usina e esperar o dinheiro da renda cair em sua conta. Não existe sequer uma construção e várias cercas foram retiradas. Aí fica uma reflexão: como é que uma pessoa que possui um número tão grande de terra, não planta nada, a não ser cana, ainda tem a cara de pau de se queixar que os preços de legumes e frutas estão altos, se ele mesmo não planta nada disso. Desde os primeiros anos da colonização do Brasil, descobriu-se que a cana adaptou-se muito bem por aqui e o açúcar dela derivado era relativamente fácil de produzir e obtinha bons preços na Europa. Os primeiros e maiores canaviais foram plantados na região Nordeste por ser mais perto dos países consumidores. Os navios negreiros traziam centenas de escravos e geralmente os armadores não recebiam o pagamento em dinheiro e sim em açúcar. As embalagens eram em caixas de 500 kg, que eram carregadas nos mesmos navios e eram revendidas na Europa por preços altíssimos e rendiam bem mais que os escravos. Então a ordem era desmatar, acabar com a fauna e a flora e se preciso fosse, dar um sumiço com os moradores que já estavam lá a milhares de anos, os índios, e ir plantando cana indiscriminadamente sem se preocupar com a preservação do meio-ambiente. Qualquer semelhança com os dias atuais é mera coincidência. Os administradores eram portugueses, mas houve a invasão holandesa cuja ocupação durou alguns anos e a produção passou a ser gerida pela companhia das Indias Ocidentais, da Holanda. Um dia chegou o representante da citada companhia, de nome Maurício de Nassau, que ao analisar a situação encontrada, chegou a conclusão de que se nada fosse feito, dentro de pouco tempo a população local iria passar fome, apesar de produzir um produto valioso. Então o que ele fez? Determinou que todo proprietário de canavial fosse obrigado a plantar também um roçado de milho, feijão, batata e várias espécies de vegetais, legumes e frutas. Pelo menos isto garantiria o sustento da população local. Pode-se afirmar que este procedimento aliviou em muito as necessidades do povo. Muitas pessoas acham que o governo atual também deveria tomar uma medida semelhante. Ai alguém pode argumentar que o Brasil é um dos maiores produtores de grãos do mundo, mas se esquece que essa produção é de milho e soja que são usados basicamente na engorda de animais para exportação e que nosso país importa leite, arroz, feijão, alho, etc... Vale uma reflexão. 


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