26/06/2026
DA REDAÇÃO
Nos últimos anos, cada vez mais mulheres têm participado da construção do futuro, ocupando espaços de liderança e expandindo os horizontes de uma profissão que se fortalece quando incorpora diferentes olhares e experiências. Nas salas de reunião, nos ambientes de trabalho e nos espaços de decisão, a presença feminina escreve novos capítulos da Engenharia, ampliando referências, abrindo caminhos e inspirando novas gerações a enxergar na área tecnológica um lugar de pertencimento, inovação e transformação.
No Dia Internacional das Mulheres na Engenharia, celebrado em 23 de junho, profissionais que atuam na área tecnológica refletem sobre os avanços conquistados, os desafios que ainda persistem e o papel das novas gerações na construção de uma Engenharia mais representativa e conectada às necessidades da sociedade. No Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP), o Programa Mulher tem promovido ações de capacitação e desenvolvimento profissional, criando oportunidades para que mais profissionais compartilhem experiências, fortaleçam e ocupem posições estratégicas.
O compromisso com esse avanço foi reconhecido neste ano com a conquista do Selo Ouro de Certificação em Boas Práticas no Combate à Violência Contra as Mulheres (PR 1019), concedido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) em parceria com o Instituto Nós Por Elas, que reconhece a adoção de práticas voltadas ao combate a violência de gênero. O reconhecimento reforça uma mudança que vai além dos números e se reflete na construção de ambientes mais inclusivos, diversos e representativos.
A engenheira civil Adriana Cintra, presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Atibaia e Região (AEAAAR) e coordenadora adjunta do Programa Mulher do Crea-SP, vivenciou essa transformação de forma simbólica. Em quatro décadas de história da entidade, ela foi a primeira mulher a assumir a Presidência. “Tenho visto, sentido e vivido essas transformações. As mulheres estão cada vez mais presentes em eventos e espaços de decisão, mas ainda há muito a ser conquistado”, afirma.
A trajetória de Adriana reflete um movimento percebido em diferentes instâncias. Para a engenheira civil Nauany Xavier, coordenadora do Comitê de Diversidade do Conselho, a presença de referências femininas têm desempenhado um papel importante nesse processo. “Hoje há mais visibilidade e mais oportunidades para que outras mulheres possam se enxergar na Engenharia”, destaca.
O cenário mostra sinais importantes de evolução. Dados do mini-censo do Confea revelam que a participação feminina na Engenharia vem crescendo em ritmo superior ao masculino. Enquanto 24% dos homens se registraram no Sistema nos últimos cinco anos, entre as mulheres esse percentual chega a 36%. Atualmente, mais de 55 mil mulheres possuem registro ativo no Crea-SP, representando 22,5% das profissionais registradas no país. “Quanto mais referências tivermos ocupando espaços de destaque, mais conseguiremos inspirar novas gerações”, observa Priscila.
E se o presente revela uma Engenharia em movimento, o futuro é visto com entusiasmo e confiança. A expectativa é de uma profissão cada vez mais diversa, colaborativa e alinhada às necessidades da sociedade. “Vejo as mulheres como protagonistas dessa transformação”, afirma Priscilla. “A Engenharia do futuro será cada vez mais conectada à inovação, à sustentabilidade, à tecnologia e à colaboração multidisciplinar”, completa.
A expectativa é compartilhada pela engenheira agrônoma Francisca de Queiroz, a Nina, inspetora do Crea-SP pela capital e vice-presidente da Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo (AEASP). Ela enxerga uma presença feminina cada vez mais forte na construção das soluções que moldarão a profissão. “As mulheres na Engenharia já avançaram muito, estão em papéis importantes e consolidaram o seu valor e sua qualificação. Tenho certeza de que mais meninas desenvolverão projetos, tecnologias e soluções para o futuro da Engenharia. O nosso papel será de protagonismo”, aponta.
Ao longo dos últimos anos, cada mulher que assumiu uma liderança, coordenou uma equipe, abriu caminhos para outras profissionais e ajudou a desenhar esse futuro. Nesse caminho, iniciativas como o Programa Mulher ajudam a garantir que a equidade de gênero continue avançando. Afinal, a Engenharia, Agronomia e Geociências são as profissões que projetam o amanhã. Um projeto coletivo que continua em construção e que ganha novas formas à medida que mais vozes, experiências e perspectivas passam a fazer parte dele.
(Com A/I Crea-SP)
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