15/07/2007
O Departamento Autônomo de Água e Esgoto de Penápolis, o Daep, está preparando um projeto para recolhimento em domicílio de óleo comestível usado. A informação é do diretor-presidente do órgão, Lourival Rodrigues dos Santos.
Segundo ele, o projeto será desenvolvido juntamente com a Cooperativa dos Recicladores de Penápolis (Corpe), com apoio do Moveca (Movimento Vestindo a Camisa). A nova investida no ramo de reciclagem – o Daep atualmente já dá sustentação ao trabalho da Corpe na coleta, separação e comercialização de lixo reciclável – terá dois objetivos. Um deles é proporcionar aumento no lucro dos cooperados, que terão um novo produto à comercializar. O outro é evitar que o óleo de fritura seja jogado nos ralos das cozinhas, provocando sobrecarga na lagoa de tratamento de esgoto, em especial na primeira caixa de coleta.
Atualmente, pelos cálculos do diretor-presidente, praticamente 99% das donas-de-casa dão como destino final ao óleo usado o esgoto da residência. “O produto traz sérios problemas ao local de tratamento de esgoto, além de aumentar as chances de provocar entupimento não somente na rede coletora, mas também nas próprias tubulações das residências”, enfatizou Lourival. Estudos revelam que um único litro de óleo pode poluir milhões de litros de água. A idéia de providenciar a coleta do material vêm de algum tempo, mas, a partir de setembro deverá ser colocada em prática, simultaneamente com um trabalho de conscientização e de informação da população. “Já estivemos visitando alguns municípios que desenvolvem este trabalho e atualmente estamos planejando como será feita a coleta”, detalhou Lourival. Antes que a coleta seja efetivada os responsáveis irão contatar as empresas interessadas na produção do biodiesel, que poderá ser usado em inúmeros fins, como alimentar motores movidos com o óleo diesel comum, - caminhão e tratores, por exemplo. “Não adianta apenas coletar e depois não ter o que fazer com o produto”, afirmou Lourival ao justificar o motivo do óleo ainda não estar sendo coletado. “A Corpe é bem planejada e não podemos nos precipitar”, afirmou. Além do local para armazenamento, a forma como será a campanha também está sendo bem estudada. “O projeto precisa ser consistente e estamos nos estruturando para que dê certo”, destacou.
Garrafas Pet
Como já ocorre em cidades que fazem o recolhimento do óleo usado, em Penápolis ele deverá ser armazenado pelas donas-de-casa em garrafas do tipo pet, que também serão posteriormente recicladas. Para isso, a intenção é distribuir funis feitos de garrafas menores para facilitar o depósito do óleo.
Caberá ainda ao departamento confeccionar adesivos que serão colados nas garrafas com finalidade de identificar o produto. No passo seguinte o Daep, com um veículo, recolherá o produto nas residências. Esta nova modalidade de coleta, segundo Lourival, será necessária, uma vez que os caminhões que já recolhem o lixo reciclável poderão encontrar problemas caso este produto venha a vazar. “Teremos que dispor de um veículo equipado com um tanque próprio para retenção”, avaliou Lourival.
Divulgação
Para que o novo projeto dê o resultado esperado, Lourival destaca que o trabalho de conscientização e divulgação junto a população é de real importância e, as crianças serão um dos alvos da campanha. “Elas são importantes para levar a informação até a família dos danos que estes resíduos causam no meio ambiente e também que o óleo que é atualmente jogado nos ralos pode ser reutilizado. A melhor forma de educar o adulto é através das crianças”, reconheceu o diretor. Para ele, Penápolis já tem experiência neste trabalho “formiguinha” e que já traz bons resultados.
Disputado
O material, que está tendo uma nova destinação, conforme destacou o comerciante Carlos Costa, o “Carlinhos”, da pastelaria Costa Salgados, já está sendo disputado por empresas interessadas no processamento. Sua empresa, relatou, foi procurada recentemente por interessados em adquirir o óleo que é descartado após a utilização nas frituras. Esta nova investida que o Daep pretende iniciar, para Carlinhos, têm tudo para dar certo. Pelos cálculos do comerciante, em média ele utiliza 400 litros de óleo vegetal ao mês, sendo que cerca de 300 são descartados após sua utilização. Apesar de ainda não existir uma coleta deste material, Carlinhos destacou que nunca o jogou nos esgotos. Além de utilizá-lo para fazer sabão e detergente, o excedente ele revende para empresas do ramo de cerâmica que o adicionam ao diesel comum e utilizam como impermeabilizante para os equipamentos na produção de telhas e tijolos. Tomando por base estes dados, em sua opinião o óleo vegetal usado poderá alcançar no mercado cerca de um terço de seu valor quando novo. No seu caso, devido a quantidade que adquire, ele consegue preços melhores que oferecidos pelos supermercados. Como paga cerca de R$ 1,50 o litro, a revenda sai em média por R$ 0,50. (SRF)
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