14/02/2009
A catadora de papel Lourença Palma da Cunha, 55 anos, não imaginaria que da noite para o dia iria se tornar destaque nacional pelo seu nobre gesto em devolver R$ 20 mil para um supermercado localizado no centro da cidade após encontrar o dinheiro na lixeira do estabelecimento. Ontem pela manhã, Lourença concedeu entrevista para diversos veículos de comunicação nacional, como telejornais e programas de rádio, sendo manchete em alguns destes. “Nunca imaginei que seria notícia em todo o Brasil”, comenta. Sua história ficou conhecida quando na tarde da última quarta-feira, 11, a catadora encontrou dois sacos plásticos que estavam em meio ao lixo recolhido durante sua ronda diária, cuja profissão exerce há cinco anos. O fato aconteceu quando a gerente do supermercado estava limpando o escritório e por engano acabou jogando os sacos plásticos achando que eram lixo. Lourença, que neste momento não tinha nenhum centavo em seu bolso, recolheu os sacos e continuou seu trajeto, percorrendo a cidade em busca de materiais recicláveis, fonte de renda esta que auxilia no sustento de sua família, onde mora com o marido, seus dois filhos e quatro netos. Ao separar os materiais, veio à surpresa: ao abrir uma das sacolas, notou uma porção de notas em dinheiro, achando que fossem de colecionadores ou figurinhas. “Com a ajuda do rapaz que trabalha na marcenaria, descobri que as notas eram verdadeiras, onde devolvi imediatamente”, cita. Assim que entregou o dinheiro aos proprietários, Lourença recebeu R$ 200,00 como gratificação e adquiriu alguns produtos para a festa de aniversário de seu neto, além de pagar uma conta. Em entrevista concedida para a Rádio Difusora e Bandeirantes de Penápolis, a catadora recebeu dos diretores da emissora a doação de mais R$ 200,00 em reconhecimento pelo seu nobre ato. “Fiquei muito feliz em receber este dinheiro, pois estará ajudando nas despesas de minha casa. O dinheiro é importante em nossas vidas, mas não é tudo que precisamos e sim a honestidade”, enfatiza. Para o radialista e sócio-proprietário Célio de Oliveira, a idéia em fazer a doação partiu dos diretores da emissora. “Essa importância em dinheiro serve como incentivo para todos nós tomarmos como exemplo a atitude que a Dona Lourença teve em devolver o dinheiro”, enfatiza. A sua renda, até outubro do ano passado, chegava a R$ 500,00; hoje com a crise econômica não passa de R$ 200,00.
Gratificação
As doações para a catadora de papelão não terminaram durante o dia. Funcionários do supermercado entregaram em sua residência ontem a tarde uma cesta básica, como forma de agradecimento. Conforme explicou o proprietário do estabelecimento comercial, Max Douglas Buranello, isso é o mínimo que a direção pode estar fazendo para ajuda-la. “Agradeço de coração este belo gesto de Lourença, pois mostra que ainda temos pessoas honestas e trabalhadoras”, admite. O gerente disse também que durante um ano estará enviando uma cesta básica. “Não só isso, como também estaremos conversando e vendo a possibilidade de contratá-la para trabalhar aqui no supermercado”, garante. (IA)
Foto: Lourença mora nos fundos de uma marcenaria localizada na avenida Marginal Maria Chica
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